Cor potencial
Algumas variedades tendem a gerar mais pigmentação que outras.
1º Curso Gratuito de Vinhos da Confraria Sete Lagoas
Por que este vinho pode se apresentar assim na taça?
Na Aula 3 aprendemos a perceber. Agora damos o passo seguinte: relacionar cor, aromas e sensações a possíveis influências da uva, do lugar, das escolhas de vinificação e do tempo.
Antes de procurar uma causa
Uma característica do vinho raramente tem uma única explicação. Aqui trabalhamos com relações, tendências e possibilidades, não com fórmulas prontas.
O ponto de partida. Cada variedade oferece ao produtor uma matéria-prima com características próprias.
Algumas variedades tendem a gerar mais pigmentação que outras.
A variedade ajuda a definir quais famílias de aromas podem aparecer.
As uvas partem de potenciais diferentes de frescor e acidez.
Quantidade e natureza dos taninos também variam conforme a uva.
A variedade contribui para o potencial estrutural do vinho.
Pergunta útil: “Isso que percebi pode ter relação com a variedade?” A resposta pode ser sim, mas ainda precisamos olhar para onde a uva cresceu e para o que aconteceu depois.
Em vez de transformar “terroir” em uma fórmula, fazemos uma pergunta prática: em que condições essa uva amadureceu?
Ajuda a definir as condições gerais em que a videira se desenvolve.
Influencia o ritmo de maturação e o equilíbrio da uva.
Participa do amadurecimento, mas seu efeito depende do conjunto de condições.
Pode alterar temperatura, amplitude térmica e condições de maturação.
Influencia água, nutrientes e desenvolvimento da planta.
Uma Chardonnay, por exemplo, pode resultar em estilos bastante diferentes conforme o clima, a maturação e as decisões de vinificação. A variedade é o começo, não o resultado pronto.
Sobre o solo: não é correto imaginar que o “gosto do solo” passa diretamente para o vinho. O solo faz parte do lugar e influencia a videira principalmente pela relação com água, nutrientes, raízes e desenvolvimento da planta.
O que o produtor fez com aquela uva? Quando ela chega à vinícola, começa uma nova etapa: entram as decisões de vinificação.
As leveduras transformam açúcares em álcool e a fermentação também participa da formação de aromas. Temperatura, leveduras e condições do processo podem influenciar o perfil final.
Especialmente nos tintos, o contato com as cascas pode aumentar extração de cor e taninos e contribuir para intensidade e estrutura.
Pode contribuir com notas de baunilha, tostado e especiarias, além de influenciar estrutura e textura. Barrica é uma possibilidade, não a única forma de contato com madeira.
Após a fermentação alcoólica, pode ocorrer a conversão do ácido málico, mais cortante, em ácido lático, mais suave. Em alguns vinhos também podem surgir notas que lembram manteiga.
O contato com as borras pode trazer mais textura e sensação de cremosidade e, conforme o vinho, notas que lembram pão, fermento, biscoito ou tostado.
Detalhe técnico, sem complicar: apesar do nome “fermentação malolática”, trata-se de uma conversão realizada por bactérias. Para a degustação, o importante é perceber que ela pode deixar a acidez menos cortante e alterar textura e aromas. Nem todo vinho passa por esse processo.
O vinho que entrou na garrafa não permanece exatamente igual.
O vinho pode amadurecer em tanque, madeira ou outros recipientes. Esse período pode mudar integração, textura, aromas e estrutura, conforme o estilo buscado.
A evolução continua. Aromas mais frescos podem diminuir, outros caracteres podem surgir, a cor pode se transformar e os taninos podem ficar mais integrados.
O objetivo não é adivinhar como o vinho foi feito. É aprender a levantar hipóteses melhores a partir do que você percebeu.
Exemplo de continuidade com a Aula 3
Na degustação anterior, primeiro observamos o vinho e registramos nossas percepções. Só depois consultamos informações do produtor. Na Aula 4, o mesmo vinho pode ser usado para inverter a pergunta: o que sabemos sobre uva, origem, amadurecimento e escolhas de produção que pode ajudar a explicar aquilo que percebemos?
Resumo visual
Uma característica raramente tem uma única explicação.
É o ponto de partida: influencia cor, aromas, acidez, taninos e estrutura.
Pergunte em que condições aquela uva amadureceu.
Fermentação, extração, madeira, malolática e borras podem moldar o vinho.
O vinho continua mudando; mais velho não significa necessariamente melhor.